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terça-feira, 26 de novembro de 2013

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Bem alto

Meu pai me falou que quando era pequeno, ia sempre numa casa grandona que fica perto daquela montanha. Aquela enorme, tá vendo?  Andava pra caramba pra chegar lá. Como não alcançava o trinco, pegava uns tijolos e se esticava todo, para conseguir abrir o portão.
Ontem, não sei por que, ele voltou lá. Disse que chegou rapidinho. Achou que não era tão longe. Falou que o trinco era muito baixo. Teve até que se curvar para abrir o portão.
Será que o trinco desceu?  Não, não consigo explicar como isso é possível. Vem comigo, vamos lá nessa casa. Se eu não conseguir, você me levanta pra eu alcançar trinco?
Jurandi Alves Siqueira


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Gafe (curta metragem)

Curta metragem que aborda o quanto, às vezes, somos traídos pela razão.
Direção: Jurandi  Siqueira.
Elenco: Lúcia Araújo, Jorge Gama e José Antônio Souza Amador.



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Bom apetite

                                         
 A gente que gosta de literatura
Quando começa a escrever
Sai tanta da loucura
Que só lendo pra ver

Faz conto, romance, poesia
A gente quer escrever
Escreve até na cozinha
Onde é pra se comer

E por falar em comida
Agora quero dizer:
Tem coisas muito gostosas
Que dá até pra gente ler

A receita que escreveu a vovó
Do camarão que aprendeu a fazer
Não conheço outro bobó
Tão gostoso pra gente comer

O vinho também se escreve
Pede a carta, cardápio ou menu
Quem não sabe beber, não bebe
Ou pede qualquer um

A gente não sai desse prato
Come mesmo pra valer
Literatura que se preze
Dá gosto da gente ler

Jurandi Alves Siqueira

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Arraiá da Brigite


Brigite brinca com brinco
Seca o sol o solo molhado
A chuva parou acredite
Comi um bolo solado

O bebo bebeu de bobeira
De tanto beber, embebou
Em São João tem fogueira
Fogos, balão sim senhô

A festa vai inté noite inteira
Pra mim já começou
Estava esperando Brigite
E vejo que ela chegou

Brigite brinca comigo
Passou por mim nem olhou
Tristeza foi tanta, acredite
Meus olhos inté até marejou

Jurandi alves siqueira

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Rodando


Rodando

A vida tem muito da magrela
nem sempre ruim
nem sempre bela

Equilíbrio
deve-se ter
pra se viver sobre ela

Gosto da vida simples
do jeito da minha magrela
sem teto, porta, janela

Um guidão pra segurar
um selin pra se sentar
um pedal pra pedalar

O resto
deixo com ela


Jurandi Alves Siqueira

quarta-feira, 28 de março de 2012

Um gesto

Meu colega de classe ficou de castigo. Ele levantou um dedo e a professora disse que isso não podia acontecer.
Fiquei pensando como que um simples gesto faz o outro pensar que a gente está pensando o que ele está pensando.
Carlinhos não chorou no castigo. Olhei pra ele e levantei um dedo. Ele abaixou a cabeça.
Meia hora mais tarde dona Vera disse que podia sair.
–  Que isso não se repita, entendeu? “
Ele levantou outro dedo. Ela fez o mesmo.
Quando ele ia saindo, ela o chamou pelo nome, meio que arrependida. Ele parou e virou-se.
Nada falaram. Após alguns segundos, dona Vera levantou um dedo. Carlinhos levantou todos, balançou as mãos e saiu.
–  Estou orgulho de você, cara. Parabéns!
Apertei-lhe as mãos.
– Não faça isso!
– Ué, por quê?
Ele levantou outro dedo e o colocou na altura do nariz.
Fiquei quieto.
– Por que você ficou quieto?
– Você não mandou eu ficar calado?
– Eu não falei nada.
Levantei meu polegar. Ele fez o mesmo e fomos brincar.
Depois de Nonô, Carlinhos era o meu melhor amigo.

jas/mar12